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domingo, 4 de dezembro de 2016

Novo Progresso - IBAMA esta perdendo batalha para os madeireiros,diz jornal Português


Agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, Foto -REUTERS/Ueslei Marcelino
Emm uma edição especial Jornal "publico.pt" Português  foca Amazônia em especial a cidade de Novo Progresso, numa entrevista reveladora com chefe do Ibama de Santarém - ele divulga que madeireiros estão mais equipados que os agentes ambientais. Num trecho relata que a metade dos fiscais ambientais  não são de confiança e que a  maioria não dinheiro sequer para pagar o porte de arma. Em uma sessão de fotos inéditas mostra  ação dos fiscais ambientais na Floresta Amazônica - Veja Matéria;
Foto REUTERS/Ueslei Marcelino
Os guardiões da Amazônia estão a perder a batalha?


Entre 2004 e 2012, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, conhecido como Ibama, conseguiu reduzir em 80% a taxa de desflorestação da Amazónia. Hoje, os agentes do Ibama estão exaustos e dizem travar uma batalha desigual contra os madeireiros ilegais que operam perto da cidade Novo Progresso, no  Pará.
Com o apoio da polícia militar, os agentes do Ibama vigiam a floresta numa operação de combate à desflorestação ilegal
REUTERS/Ueslei Marcelino

“Os madeireiros estão melhor equipados do que nós”, explicou à Reuters Uiratan Barroso, responsável do Ibama na cidade de Santarém. “Enquanto não tivermos dinheiro para alugar carros descaracterizados e rádios eficazes, não vamos conseguir fazer o nosso trabalho”. Atualmente, os agentes do Ibama estão equipados com rádios com um alcance máximo de 2km e carrinhas que são facilmente reconhecidas pelos madeireiros.
A proteção da floresta da Amazónia continua a ser urgente: com uma área duas vezes superior à da Índia, é responsável pela absorção de dois mil milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano, impondo-se como fundamental na luta contra o aquecimento global. E se o Brasil se orgulhava de ter conseguido inverter os números trágicos da desflorestação – em 2012 a área destruída chegou a cair para um mínimo histórico de 4571 quilómetros quadrados -, esse investimento é agora praticamente inexistente e uma incógnita. Nos últimos quatro anos, a destruição da floresta aumentou 35% e a recessão da economia brasileira obrigou a cortes profundos no financiamento do Ibama.
Agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, conhecido como Ibama
REUTERS/Ueslei Marcelino

Na região de Novo Progresso, onde a desflorestação ilegal se apresenta como uma das poucas fontes de rendimento para uma população de 25 mil habitantes, os agentes sentem o peso dos cortes. O controlo aéreo com recurso a helicópteros desapareceu e o reforço de agentes é impossível. “Não temos sequer verba para pagar os testes de aptidão que permitem aos agentes ter uma arma”, explicou Barroso. Um teste custa cerca de 50 euros. A destruição ilegal da Amazónia faz-se acompanhar de corrupção e insegurança. “Só confio em metade das pessoas com que trabalho”, afirmou o agente responsável.
Foto REUTERS/Ueslei Marcelino


O Ministério Ambiente brasileiro já reconheceu que a falta de recursos reduziu a capacidade de operação dos agentes no terreno. A solução chegou no início deste mês de Novembro: uma ajuda de 56 milhões de reais - cerca de 15 milhões de euros - garantidos pelo Fundo Amazónia, financiado pela Noruega e Alemanha. Ainda assim, o sentimento é o de que pode ser tarde demais para o Brasil atingir a meta de “desflorestação zero” até 2030.
Por Blog Adecio Piran com publico.pt