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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Prisão de LULA

Lula
Não concordo com as injustiças contra o Lula, diz autor de habeas corpus

O autor do habeas corpus preventivo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Mauricio Ramos Thomaz, 50, afirmou nesta quinta (25) que tomou a iniciativa para evitar a prisão política do líder do PT.

"Não concordo com injustiças e qualquer possibilidade do Lula ser preso hoje é por motivo político, não porque ele tem responsabilidade ou ligação com o esquema descoberto na operação Lava Jato. Quero evitar isso", disse.


Ramos Thomaz mora em Sumaré, município da região metropolitana de Campinas, e se intitula consultor de advogados. Solteiro e sem filhos, já foi autor de habeas corpus a Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras preso na Lava Jato, e réus do mensalão.

Também diz ter encontrado Lula apenas uma vez na vida e de não pertencer a nenhum partido político. O habeas corpus foi enviado por e-mail e pelos Correios para o TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região, no Sul do país, no começo da semana.

A Folha apurou que a petição de Thomaz traz termos ofensivos e irônicos contra o juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato. Afirma, entre outros argumentos, que o magistrado "fraudou" uma sentença contra o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, "cria leis" a seu gosto e decide com base em suposições.

O texto do pedido de habeas corpus tem ainda críticas ao Judiciário do Paraná e ao governador tucano Beto Richa.

No livro "O Relógio de Pascal", o primeiro ombudsman da Folha, Caio Túlio Costa, dedica um capítulo à relação que mantinha com Thomaz.

Na obra, Costa relata que Thomaz enviava cartas com regularidade para criticar o conteúdo do jornal, e que "praticamente nada ficou sem ser discutido, radiografado e decupado na Folha e alhures naqueles dois anos [de Costa como ombudsman]. Maurício lia tudo. Do que podia cotejar com os livros emprestados da biblioteca de Muzambinho, ou com os noticiários da televisão, absolutamente nada lhe escapava".

"O jovem lógico de Muzambinho [cidade mineira em que Thomaz morava à época], o 'positivista empedernido', conforme o apelidei em momento de irritação, acabou sendo nesses dois anos do mandato um legítimo ombudsman do ombudsman."

ODEBRECHT

Ramos Thomaz afirmou que trabalha em um novo habeas corpus, dessa vez, favorável ao presidente da construtora Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e que também já tem um pedido pronto ao ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso na Lava Jato.

"Tenho prazer em ganhar habeas corpus a todas as pessoas que acredito estarem presas injustamente. Também sou do Paraná, e tudo o que acontece lá [no Estado] é problemático, tem muita confusão e precisa de gente como eu", afirmou.

Mauricio Ramos Thomaz afirmou que considera do juiz federal Sergio Moro um "perigo" por, segundo ele, "não entender nada de Justiça e escrever tudo no futuro do pretérito". "Tenho analisado os despachos e são muito questionáveis", disse.
FOLHA UOL