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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Criticado por Barbosa

Marcelo Camargo/ABr
Cardozo diz que só na ditadura não poderia receber advogados

 O ministro da Justiça ainda aproveitou para alfinetar Barbosa, dizendo haver juízes que não recebem advogados, e que com isso, desrespeitam a lei
Depois de receber duras críticas do ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo disse em entrevista à Folha de S. Paulo que “só na ditadura não se admite” que um ministro receba advogados. Ele ainda negou que tivesse omitido de sua agenda os encontros com advogados de empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato deflagrada pela Polícia Federal.

Segundo Cardozo, os encontros não entraram em sua agenda oficial devido a falha do sistema de registro. "Há vários dias em branco. Alguns se referem a férias. Outros a essa falha", defendeu.

Ele ainda disse que só teve uma audiência para tratar de questões relativas à Lava Jato, na qual recebeu advogados da Odebrecht e qualificou esta reunião como tendo ocorrido dentro do "estrito rigor formal".

O ministro da Justiça ainda aproveitou para alfinetar Barbosa, dizendo haver juízes que não recebem advogados, e que com isso, desrespeitam a lei. Joaquim Barbosa teve embates com colegas durante sua passagem pelo STF por não aceitar receber advogados.

O ex-ministro do STF chegou a pedir pela rede social Twitter que a presidente Dilma Rousseff demitisse o ministro da Justiça. "Nós, brasileiros honestos, temos o direito e o dever de exigir que a presidente Dilma [Rousseff] demita imediatamente o ministro da Justiça", disse.

As críticas ainda motivaram que a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffman (PT) saísse em defesa de Cardozo, dizendo achar "inusitado" que Barbosa que, segundo ela, nunca recebia advogados quando estava na presidência do Supremo, de repente passasse a criticar o ministro da Justiça por fazê-lo.

Líderes da oposição anunciaram que entrarão com representação para que Cardozo se explique na Comissão de Ética da Presidência da República para esclarecer por que os encontros não constavam de sua agenda divulgada na internet.Estadão