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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Pará é o maior produtor de madeira do País

A produção paraense de carvão vegetal chegou a 58,3 mil m² em, o equivalente a R$ 32,1 milhões

 
O Pará tem a maior produção de madeira em tora do País, de acordo com a pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) 2012, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem. O estudo revelou que, no ano passado, o Estado extraiu 4,8 mil metros quadrados (m²) em tora de madeira, mais de um terço do total extraído em todo o País. O valor da produção chegou a R$ 861,7 mil, mais de 60% da soma alcançada nacionalmente A quantia supera o acumulo da média produzida nas regiões Nordeste (R$ 139,4 milhões), Sudeste (R$ 8 milhões), Sul (R$ 45,6 mil) e Centro-Oeste (R$ 649 milhões). No País, o valor O Pará também é destaque na produção de lenha. O Estado tem a terceira maior quantidade produzida (3,1 mil m²) e o segundo maior valor obtido com a extração (R$ 72 milhões), em relação às demais unidades federadas. A produção paraense de carvão vegetal chegou a 58,3 mil m² em, o equivalente a R$ 32,1 milhões.
No Pará, a produção de madeira em tora foi majoritariamente destinada à produção de papel e celulose (R$ 1,5 mil m²). O lucro da transformação foi de R$ 133,6 milhões. Para outras finalidades foram utilizados 496,1 mil m², revertidos em R$ 97,9 mil. A produção esteve concentrada na região do Baixo Amazonas. 
Na região Metropolitana de Belém houve a extração de 317 toneladas de carvão vegetal (R$ 322 mil), 79,4 mil t de lenha (R$ 1,2 milhão) e 1,9 mil t de madeira em tora (R$ 283 mil). No Nordeste paraense os valores atingidos com a produção de carvão vegetal foram de 4,8 mil toneladas e R$ 5,5 milhões. Com a extração de lenha, dos municípios da região foram retirados 1 milhão de t, ou R$ 21,2 milhões. A produção de madeira em tora chegou a 598 mil t, gerando R$ 104 milhões. No Sudeste, as extrações registradas em 2012 foram de, respectivamente, 50,1 mil t, 432 mil t e 1,2 milhão t. O valor total obtido supera os R$ 300 milhões.

De acordo com o levantamento, o Estado produziu, ainda, 127 toneladas (t) de látex coagulado, gerando R$ 345 mil. A extração de fibras, no Pará, acumulou 259 t de Buruti, em 2012, que foram revertidos em R$ 339 mil. A produção de oleagionsos alcançou 28 t de Babaçu, R$ 47 mil, 27 t de Copaíba, R$ 384 mil, e 90 t de Cumaru, R$ 841 mil. O Pará também lucrou com a produção da folha de Jaborandi, que pode ser utilizada medicinalmente. Foram 35 toneladas transformadas em R$ 228 mil.
As matrizes da produção de látex coagulado, no Pará, está no Baixo Amazonas. Na região foram produzidas 127 t, sendo que 83 t foram extraídas no município de Santarém. O valor da produção é de R$ 249 mil, no Baixo Amazonas. Marajó (2 t), Sudoeste Paraense (5 t) e Sudeste paraense (37 t). No Estado não há registro da produção do latex líquido.
Dentre os produtos não madeireiros do extrativismo vegetal que se destacaram pelo valor da produção em 2012, os dados do estudo do IBGE destacam coquilhos de açaí (R$ 336,2 milhões), erva-mate nativa (R$ 155,3 milhões), amêndoas de babaçu (R$ 127,6 milhões), fibras de piaçava (R$ 109,0 milhões), pó de carnaúba (R$ 95,1 milhões) e a castanha-do-pará (R$ 68,4 milhões). Juntos esses produtos responderam por 90,6% do valor total da produção extrativista vegetal não madeireira.
O extrativismo vegetal não madeireiro em sua maioria se concentra na Região Norte, com destaque para o açaí (93,7%) e a castanha-do-pará (96,0%), e na Região Nordeste onde se concentram as produções de amêndoas de babaçu (99,7%), fibras de piaçava (96,2%) e pó de carnaúba (100,0%). A Região Sul concentra apenas dois produtos: erva-mate (99,9%) e pinhão (99,0%). Em sua totalidade, os produtos não madeireiros somaram 1,016 bilhões em 2012, com os derivados da silvicultura somando apenas R$ 133,1 milhões; enquanto os provenientes da extração vegetal R$ 983,6 milhões.
Em todo o Brasil a participação da silvicultura (extração em áreas plantadas) na produção primária florestal passou de 72,6% para 76,9% de 2011 para 2012, o que representa R$ 14,2 bilhões do total geral da produção florestal brasileira, que alcançou R$ 18,4 bilhões. A extração vegetal (retirada de áreas nativas), cuja participação caiu de 27,4% para 23,1%, somou apenas R$ 4,2 bilhões. O IBGE explica que essa inversão decorre diretamente do aumento da fiscalização e de uma maior conscientização ambiental no país.
Em 1994, a silvicultura representava menos de 30% da produção florestal, enquanto o extrativismo ultrapassava os 70%. Entre 1998 e 2002, ambos praticamente se igualaram, mas a partir de 2003 a silvicultura acentuou a predominância e vem se distanciando do extrativismo. Os técnicos do IBGE ressaltaram a implementação de políticas públicas, ao longo dos anos, de incentivo da silvicultura, de forma econômica e sustentável. “A exploração madeireira predatória, que tantos danos causou ao meio ambiente, vem sendo substituída por técnicas de impacto reduzido, preservando o setor madeireiro através do uso racional e sustentável”, destaca o documento.
A adoção de um sistema de manejo florestal aliado a iniciativas conservacionistas que procuram conter os desmatamentos constituem um fator preponderante para preservação das matas, segundo o IBGE. “O crescimento da silvicultura é fator preponderante na amenização do impacto causado pela retirada de produtos madeireiros.”
Ainda no âmbito do fenômeno da inversão silvicultura-extração vegetal, a troca da lenha de matas nativas – muito usada como combustível nas zonas rurais para cozinhar alimentos – por lenha de reflorestamento e a substituição delas nas indústrias que utilizam a lenha como fonte energética são exemplos de como a atividade vem contribuindo para reduzir a pressão sobre as florestas nativas. “Isso sem contar que o eucalipto, principal espécie plantada no Brasil, pode ser abatido com excelente produtividade a partir do sexto ano, prazo este bem inferior à regeneração de nossas florestas”, enfatiza a pesquisa.
Para acompanhar o desempenho dessas atividades, a pesquisa fez um registro dos principais produtos obtidos nas florestas naturais e plantadas, investigando em todos os municípios brasileiros, 38 itens oriundos do extrativismo vegetal e sete, da silvicultura.
Para o IBGE, o coco do açaí, o látex, a cera de carnaúba, a fibra de piaçava, a casca de angico, o coco de babaçu, o pequi, a castanha-do-pará e o urucum são exemplos de produtos extraídos nas matas e florestas naturais do País “Tais produtos ocupam relevante importância na complementação da renda ou se configuram como a única fonte de renda das populações extrativistas em determinadas localidades do Brasil”, informa o estudo.
Texto: Rafael Querrer (Sucursal Brasília)
Foto: Evandro Corrêa (Arquivo/ O Liberal)