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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Kombi não poderá mais ser fabricada em 2014

Informação foi divulgada nesta quarta-feira pelo ministro das Cidades. 'Equipamentos reduzem a quantidade de vitimas nos acidentes de transito'

 
O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) se reuniu nesta quarta-feira (18) e decidiu que a Kombi não será uma exceção à regra de que todos os veículos fabricados no país, a partir de 2014, deverão ter airbags e freios ABS, informou o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro. Com isso, a fabricação do veículo será encerrada neste ano, visto que a Kombi não tem capacidade de receber os equipamentos de segurança.
"Não tem exceção. Seria um retrocesso a revogação da resolução [que estabelece os equipamentos de segurança a partir de 2014]. Há uma preocupação em elevar o padrão de segurança dos carros brasileiros. Estamos focados na vida e na segurança das pessoas. Foi a avaliação que o Contran fez. Poderia dizer de forma muito clara que a solução para a manutenção do emprego, você tem diversas alternativas. Mas a solução para a vida das pessoas não pode prescindir destes equipamentos que comprovadamente reduzem a quantidade de vitimas nos acidentes de trânsito", declarou o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro.
Mantega falou em possível exceção
A possibilidade de a Kombi ser uma exceção à regra foi levantada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta terça-feira - ao anunciar que a obrigatoriedade de instalação de airbag e freios ABS em todos os carros novos foi mantida para o ano de 2014.
"A Kombi terá de ser extinta. É onde poderá haver mais demissões. Mas poderemos criar excepcionalidade para a Kombi. Ela não é caminhonete, não é automóvel. É a Kombi. É um produto diferente e não tem similar. Nenhuma das empresas têm objeção que se dê uma exceção à Kombi para que possa sobreviver mais um ou dois anos. É algo que ainda vai ser analisado", declarou o ministro da Fazenda na ocasião.
Segundo Aguinaldo Ribeiro, o ministro Mantega está preocupado "com toda razão" em manter qualquer emprego no país, mas acrescentou que o país vive um "bom momento" da empregabilidade, com baixos níveis de desemprego. "O próprio governo e o próprio ministro Guido [Mantega] construiu alternativas que deram suporte ao emprego no país", afirmou.
Redução de mortes
O ministro das Cidades disse ainda que, em países que já adotam estes equipamentos de segurança (airbags e freios ABS), houve uma redução de cerca de 30 mil mortes por ano.
"Seria um retrocesso do ponto de vista da segurança das pessoas e de tudo o que está sendo feito pelo governo para reduzir as vítimas de acidentes de trânsico", afirmou ele.
Aguinaldo Ribeiro declarou também que, pelo preço que as montadoras cobram pelos carros no país, tem de haver uma contrapartida  de oferecer pelo menos este padrão de segurança. "Chegamos a conclusão que vida não tem preço", declarou o ministro.
Demissões
A obrigatoriedade de airbag e ABS deve aposentar veículos que não podem ser adaptados às exigências. Além da Kombi, o Fiat Mille também está nesta situação. 
Cálculos preliminares do setor automotivo indicam que poderia haver cerca de 4 mil demissões somente por conta do fechamento da linha de produção da Kombi, mas o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC falou, segundo dados citados pelo ministro Guido Manetga, que seriam de 10 a 20 mil tralhadores demitidos ao todo.
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, confirmou ontem que houve um apelo do ministro da Fazenda para que as empresas realoquem seus empregados das linhas que serão fechadas. Ele não se comprometeu, entretanto, com a manutenção do emprego no setor.
"Não aceitamos demissões e não acreditamos ser possível a absorção de trabalhadores em outras funções ou em outras fábricas", declarou Rafael Marques, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, nesta terça-feira. A entidade defendia que a obrigatoriedade de airbag e ABS em todos veículos fosse postergada para 2016.
Segundo Aguinaldo Ribeiro, nunca houve nenhuma movimentação do setor produtivo (Anfavea) citando as demissões. "Com tanto modelo que está sendo lançado, dá para absorver [os demitidos das linhas que serão fechadas]", concluiu o ministro das Cidades. Por: G1