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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O PT no Pará é Barbalho

Por Lucio Flávio Pinto -O PMDB é elemento essencial na estratégia do PT para a eleição do próximo ano. Por esse ângulo se explica que o partido não apresente candidato próprio para a eleição de governador no Pará. Em contextos nacionais o Pará não conta, é ignorado. O PMDB pode ter incluído o Pará na bandeja da negociação, feita diretamente pelo vice-presidente Michel Temer com a presidente Dilma Rousseff.
Daí ela receber o senador Jader Barbalho num jantar, em Brasília, no final do mês passado, para selar um acordo que já fora antecipado: o PT apoiará o candidato peemedebista ao governo, que deverá ser o filho do senador, Helder Barbalho, ex-prefeito de Ananindeua. E terá apoio para a candidatura de Paulo Rocha ao Senado. Não se sabe se o cargo de vice-governador foi reservado para a chegada de outro partido aderente, mas é possível.
Muitos petistas paraenses não gostaram. A aliança é incomoda e será explorada pelos adversários durante a campanha eleitoral. Nesse caso, o passado condena. Pode até haver algum ensaio de rebelião, mas a presidente costuma baixar sua mão pesada de Brasília. Mesmo que a insubmissão chegue até o diretório estadual, a direção nacional poderá intervir e fazer cumprir o acerto feito durante o jantar brasiliense.
Se a aliança nacional é suficientemente decisiva para que o PT se submeta aos interesses de Jader Barbalho no Pará, ainda assim ela não anula uma conjectura: que tipo de serviços o senador presta ao PT no poder federal para torná-lo conviva da intimidade da presidente em Brasília?
Uma coisa é certa: divididos, os dois partidos tornarão mais forte a candidatura do governador Simão Jatene à reeleição. Nessa hipótese, a força de Jader como o grande eleitor em todas as últimas eleições para o governo (cargo para o qual já não tem cacife suficiente para a vitória) estaria prejudicada. Ela só será eficiente com um acordo, como mostraram tanto a vitória de Ana Júlia Carepa sobre Almir Gabriel quanto a sua derrota para Jatene.
O Brasil não é o México
A eleição do próximo ano tem importância rara para o PT. Se vencê-la, se consolidará como o maior partido político do Brasil em toda a história republicana. Nenhum reelegeu dois presidentes seguidos, mesmo porque o espúrio instituto só foi instituído para o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso.
O PSDB não conseguiu eleger o sucessor de FHC, mesmo tendo um nome de peso, o de José Serra, por candidato. Já Lula transformou a desconhecida Dilma Rousseff na presidente. Ela, agora, se apresenta como favorita a um segundo mandato. Se o cumprir até o fim, o PT completará 16 anos seguidos à frente do maior cargo público do país. Passará à frente dos 15 anos de Getúlio Vargas como presidente de exceção e ditador exclusivo do Brasil.
Getúlio ainda deterá um recorde: quase 19 anos como presidente da república, incorporando os três anos e meio a partir de 1951, quando ocupou o cargo como vitorioso na eleição do ano anterior. Essa é uma meta que o PT só conseguirá superar se Dilma repetir a façanha de Lula e fizer seu próprio substituto.
Nesse caso, não haverá quem se ombreie ao PT em toda a vida republicana brasileira. Pode-se apenas argumentar que a política café com leite entre São Paulo e Minas Gerais, na primeira república, se estendeu por três décadas. Mas não foi contínuae nem foi exercida por um só partido. Ademais, envolvia uma coalizão de Estados e não estava subordinada a um programa único.
Se essa perspectiva se concretizar, o Brasil provavelmente passará por uma experiência semelhante à do PRI no México. O partido, que tinha o título de revolucionário e de independência na sigla, ocupou o poder por 50 anos. O México parecia estar numa democracia e formalmente estava. As aparências não esconderam um regime de partido único, que desandou, como era de se prever. O gigantismo burocrático, a ineficiência funcional e a corrupção penetraram por todas as vias mexicanas, resultando numa crise que se manifesta até hoje.
O Brasil não é o México, mas convém examinar esse exemplo dos vizinhos dos Estados Unidos para pensar melhor e decidir corretamente sobre o que se sucederá no Brasil.