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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Governo gasta menos que um picolé diariamente com os paraenses

 Jatene gasta só R$ 0,33 com cada paraense
No ano passado, o Governo Simão Jatene gastou com investimentos apenas 33 centavos por dia com cada cidadão paraense. Isso mesmo: apenas 33 centavos, o que não dá nem para comprar um picolé. Os números são oficiais e a conta é simples – basta ter uma calculadora em mãos.

Simão Jatene-(Foto: Antônio Cícero/Diário do Pará)
Segundo o Balanço Geral do Estado (que é o documento que registra todas as receitas e despesas do Governo), Jatene investiu, no ano passado, R$ 923.636.005,13.
Esses R$ 923,6 milhões divididos pela população paraense (7.581.051 habitantes em 2010, segundo o IBGE) dão um investimento de R$ 121,83 por pessoa (ou, como dizem os economistas, um investimento “per capita” de R$ 121,83). E são esses R$ 121,83, que, divididos pelos 365 dias do ano, resultam em apenas 33 centavos por dia, por habitante do Pará, para investir em estradas, saneamento, abastecimento de água; reformar escolas, construir hospitais, comprar equipamentos para a polícia, por exemplo.
Daí o sucateamento geral que se vê, hoje, em todo o Estado, apesar da fabulosa propaganda do Governo, que consome mais de R$ 40 milhões por ano.
No último dia 5, como você leu na edição do DIÁRIO de 7 de setembro, um ventilador de teto desabou numa sala de aula da escola estadual Panorama XXI, no bairro da Cabanagem, em Belém, ferindo uma estudante.
No último dia 10, estudantes da escola estadual Jarbas Passarinho fecharam a avenida Almirante Barroso, em Belém, reivindicando a reforma do prédio, cujo forro desabou.
Em 16 de agosto, o Ministério Público Estadual recomendou ao Corpo de Bombeiros a imediata interdição do prédio sede do Instituto de Terras do Pará (Iterpa), em Belém. O prédio apresenta trincas e fissuras, recalque acentuado do piso, infiltrações, curto-circuitos e alagamentos. Há até ameaça de incêndio, o que pode reduzir a cinzas todo o patrimônio documental fundiário do Estado.
Em maio deste ano, um relatório do Sindicato dos Servidores Públicos da Polícia Civil (Sindpol) mostrou o sucateamento de 30 delegacias de polícia do interior – algumas caindo aos pedaços, e até com fossa a céu aberto, ratos e falta de água potável. E o Sindpol já prometeu um novo relatório, sobre a precariedade de outras delegacias.
Da saúde, então, nem se fala: são quase diárias as denúncias de entidades e servidores do setor sobre o abandono das unidades de saúde, em todo Estado, o que gera filas imensas, sofrimento e mortes -até de recém-nascidos.
Na verdade, o investimento per capita no governo Jatene em 2012 foi um dos piores do Brasil: o 25º entre os 27 estados da Federação, à frente apenas de Goiás e Rio Grande do Sul.
No entanto, Goiás e Rio Grande do Sul estão entre os 10 estados brasileiros com maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), o indicador usado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para medir o nível da qualidade de vida em cada país.
Daí que Goiás e Rio Grande do Sul podem até se dar ao luxo de investir menos do que o Pará, um Estado onde falta quase tudo.
É a diferença entre uma casa que só precisa ser repintada, e outra que precisa de obras, para evitar que o teto desabe. A pintura até pode esperar. O teto, não.
Má gestão - O problema é gestão. É o fato de a máquina pública ser um paquiderme lento, de pouca eficiência”, dispara o deputado estadual Carlos Bordalo, do PT, sobre o baixo investimento do governo de Simão Jatene em 2012. “Em 2011 o investimento foi só da ordem de 3% do orçamento. No ano passado foi de 6%, que corresponde a esses R$ 923 milhões. Mas o aumento não aparece porque os custos são muito altos”, denuncia.
“Foram criadas seis super secretarias, o número de temporários aumentou em mais de 70%. Há empréstimos aprovados na Assembleia Legislativa que o Estado não contrai porque só tem planejamento no papel para quase R$ 500 milhões”, lamenta.
O psolista Edmilson Rodrigues não vê o investimento como baixo, embora admita que o valor seja insuficiente diante das demandas mais urgentes, mas questiona a destinação do dinheiro. “Em Marabá, Santarém, Rio Maria, Paragominas, em todos os municípios que vou, são escolas sucateadas, estradas com pouca trafegabilidade. Foi quase R$ 1 bilhão. É significativo, mas para onde vai? A nova Santa Casa é a primeira grande obra desse governo, sendo que boa parte dela foi paga no governo Ana Júlia. A possibilidade é de esse dinheiro estar sendo empregado para o pagamento de faturas não muito explicáveis, porque não é possível que não se possa ao menos reformar uma escola. E no interior, todas estão precisando de melhorias”, denuncia o parlamentar.
Líder do governo na AL, José Megale (PSDB) diz que é demagogia atacar a administração estadual pelo valor investido enquanto não for revista a realidade da arrecadação do Estado. “E isso não é um problema desse governo, e sim um problema de mais tempo e que precisa da união de todos para que haja uma mudança”, avalia. “Além disso, esse valor não inclui os R$ 2 bilhões aprovados pela Assembleia Legislativa, que o Governo do Estado só não retirou até agora porque estava quitando dívidas junto ao BNDES deixadas pela gestão anterior”, justifica.
Por dois anos, pior no Norte-Nordeste
Todos os estados do Norte e Nordeste, as regiões mais pobres do País, investiram mais por habitante do que o Pará, em 2012. O Maranhão, por exemplo, investiu por habitante R$ 173,26. O Piauí, R$ 227,79. E Alagoas, o lanterninha de IDHM do Brasil, investiu por pessoa R$ 239,09.
Na Região Norte, então, a surra foi feia. O Acre, o campeão nacional de investimentos, investiu por habitante R$ 1.107,07 – ou nove vezes mais do que o Pará. Roraima investiu por habitante R$ 873,33; o Amazonas, R$ 427,88; o Amapá, R$ 409,21; o Tocantins, R$ 395,96; e Rondônia, R$ 286,74 – o dobro do Pará. Ou seja: em 2012, o governo de Simão Jatene foi o “lanterninha” de investimento per capita do Norte e Nordeste (confira no quadro da página ao lado).
Mas se você pensa que esse foi o pior desempenho de Jatene, enganou-se. Em 2011, a per capita de investimento do Pará foi ainda pior: apenas R$ 72,86, a penúltima do Brasil, atrás apenas do Paraná – que, no entanto, é o estado que possui o 5º maior IDHM do Brasil. 
Na Região Norte, o Acre investiu R$ 784,72 por habitante – ou 10 vezes mais do que o Pará. Roraima investiu R$ 757,82; o Amapá, R$ 472, 03; o Amazonas, R$ 439,83; o Tocantins, R$ 388,04; e Rondônia, R$ 310,20.
No Nordeste, os três estados mais pobres também deixaram o Pará para trás. O Alagoas investiu por habitante R$ 178,68; o Piauí, R$ 168,46; e o Maranhão, R$ 149,37 – ou o dobro do Pará. Quer dizer: também em 2011, o governo Jatene foi o “lanterninha” de investimento per capita do Norte e Nordeste.
Piores investimentos per capta nos últimos doze anos
Na verdade, o investimento per capita do Pará, em 2011, no governo Simão Jatene, foi o pior dos últimos 12 anos. E basta atualizar esses valores pelo 
IPCA-E de junho de 2013 para se chegar a essa conclusão.
Além disso, desde 2003, o Pará só faz praticamente cair no ranking nacional de investimento per capita. Em 2003, o Pará caiu de 8º para 11º. Hoje, já se encontra em 25º lugar – ou seja, a dois passos da lanterna.
Isso fica claríssimo quando se lê um estudo do Dieese e do Sindicato dos Engenheiros do Paraná, sobre os investimentos dos estados brasileiros, entre 2000 e 2010 (veja abaixo).
Investimentos - Também reforça isso o panorama traçado por quadros elaborados pelo DIÁRIO sobre a per capita de investimento dos estados, em 2011 e 2012. Os dados são dos balanços gerais dos estados que se encontram no site da Secretaria do Tesouro Nacional. A população de cada estado, em 2010, foi extraída do site do IBGE. Confira.
Santa Casa: primeira obra sairá atrasada e mais cara
Se o governador não mudar de ideia, nesta segunda-feira, dia 16 de setembro, acontecerá a tão esperada inauguração da nova Santa Casa, cujas obras começaram ainda na gestão da ex-governadora Ana Júlia Carepa (PT), que deixou o cargo em 2010, dando lugar ao tucano Simão Jatene - que caminha para finalizar o 2º mandato. Foram anos de espera, um orçamento final bem diferente do inicial, um adiamento de entrega mal explicado – era agosto, passou pra setembro, e ainda mudou de data – e o resultado é um hospital que a propaganda feita pelo governo de Jatene promete ser uma maravilha.
O valor inicial do prédio, R$ 63 milhões de reais, boa parte deles pagos durante a gestão da petista, acabou em quase R$ 177 milhões, sob justificativa de que o projeto precisou de muitas adequações. Quase pronto, não faltam exaltações por parte da equipe de comunicação do governo, que não economiza nos elogios grandiosos e eleva a mesma Santa Casa, onde morreram mais de 40 bebês há menos de três meses, como um dos maiores centros materno- infantis de todo o país.Vale lembrar que esta é a primeira obra do governo Simão Jatene em seu segundo mandato.
(Diário do Pará)