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terça-feira, 16 de abril de 2013

Ouro cai 9,3%, maior queda desde fevereiro de 1983

Queda porcentual foi a maior desde 1983

Os contratos futuros de ouro negociados na Comex, a divisão de metais da Nymex (New York Mercantile Exchange), tiveram nesta segunda-feira (15) a maior queda desde a década de 1980 e fecharam no menor nível em dois anos, após o metal precioso sofrer uma onda de vendas pela segunda sessão consecutiva.

Segundo analistas, rumores de que grandes quantidades do metal estavam sendo liquidadas ajudaram a romper barreiras técnicas, o que intensificou a onda de vendas. O volume de negociação do ouro na Comex atingiu a máxima histórica, acima de 590 mil contratos. A máxima anterior, de 486.315 contratos foi alcançada em 28 de novembro de 2012.


O contrato de ouro mais negociado, com entrega para junho, fechou a sessão com queda de 9,3%, ou US$ 140,30, a US$ 1.361,10 a onça-troy. A queda porcentual foi a maior desde fevereiro de 1983 e o recuo em dólares foi o maior desde janeiro de 1980. O metal precioso perdeu quase US$ 200 nas últimas duas sessões e está sendo cotado abaixo de US$ 1.400 a onça-troy pela primeira vez desde fevereiro de 2011.

A onda de vendas começou na sexta-feira, 12, com as preocupações com um possível aperto monetário pelo Federal Reserve e a notícia de que o Chipre pode vender parte de suas reservas de ouro para financiar uma porção do seu pacote de resgate. O movimento continuou neste pregão com dados piores do que o esperado da China.

Os dados de crescimento da China vieram abaixo das expectativas. O país registrou um crescimento de 7,7% no primeiro trimestre ante o mesmo período do ano anterior, em comparação com as expectativas do mercado de uma expansão de 8%.

A produção industrial chinesa cresceu 8,9% em março ante o mesmo mês do ano anterior, desacelerando de uma taxa média de 9,9% de expansão nos dois primeiros meses do ano. O resultado de março ficou abaixo do crescimento de 10,0% previsto por economistas.

Mas, segundo analistas, a tendência de queda do ouro vem sido construída nos últimos meses, com os investidores questionando cada vez mais se a década de altas do mercado pode estar no fim.

Os preços do ouro têm caído desde outubro do ano passado. O metal perdeu sua atratividade como porto seguro com a estabilização da crise na zona do euro e com o alívios dos impasses fiscais em Washington. Enquanto isso, outros ativos, como as ações, tornaram-se mais atrativos para investidores que buscam retornos maiores. Por fim, as preocupações com inflação provocadas pelo programa de estímulos do Federal Reserve têm diminuído, decepcionando alguns investidores que compraram o ouro como proteção contra o aumento de preços.'Desagradável. Não há outra forma de descrever a recente onda de vendas do ouro', disse Joni Teves, estrategista de metais preciosos do UBS, acrescentando que o ouro terá muito trabalho pela frente para 'reconstruir a confiança' entre os investidores.

O metal caiu quase 30% desde que atingiu a máxima histórica de US$ 1.920 a onça-troy em setembro de 2011. As informações são da Dow Jones.Fonte: Estadão Conteúdo